Depois de sete dias de merecido descanso, cá estou eu de volta a selva. Digo selva não por estar de volta a cidade grande, mas sim por estar novamente em contato com as barbáries do dia-a-dia, com os escândalos cotidianos no cenário político. São tantas injustiças que passam ilesa, por nossas retinas distraídas com a beleza da vida, com as paisagens bela, com o coração que novamente se apaixona.
Uma vez ouvi, ou melhor li, que a ignorância era a mãe da felicidade, achei uma das coisas mais idiotas do mundo, hoje entendo perfeitamente cada letra de cada palavra dessa frase.Além de entender, sinto na pele e na alma, todo o seu significado.Quanto mais conheciento temos, quanto mais informação é dada a nós, mais sofremos. Chego a conclusão então que o conhecimento leva a dor, ele incomoda, e muitas vezes nos paralisa, nos cega, não nos deixando ver a realidade como ela simplesmente é, acabamos criando mecanismos cada vez mais sofisticados para fugir dessa realidade que vem no pacote do conhecimento.Algo muito parecido com o que Platão descreveu na Alegoria da caverna, onde quem se liberta dos grilhões de ferro, acaba por retroceder quanto a luz ofusca sua visão, justamente quando a realidade estava ali, na frente do outrora escravo.
Passei sete dias mágicos, não poderia ter sonhado melhores dias, quer dizer hipocrisia não né....algumas coisas poderiam ter sido diferentes, porém quem garante que perfeição é a chave da felicidade?Apesar de alguns pesares, gerados pelo livre arbítrio, tive momentos de felicidade plena, dias maravilhosos.Porém ao chegar de volta a selva, vem o choque de realidade, tudo igual, as mesmas manchetes, os mesmos problemas, que cada vez mais me convenço que os maiores cupados disso tudo, somos nós mesmo.
A nossa ignorância, nosso egoísmo, esta dia após dia nos matando, uma morte lenta, onde a dor é anestesiada pelo prazer imediato, e sepultada por um imaginário coletivo que acha que só temos essa saída!
Triste selva, porém minha selva, meu lar, e além do mais, toda dor traz crescimento, deixa as rédeas da vida, em nossas mãos.
Com a dor cresceremos, crescendo controlaremos nossas vidas, e ai quem sabe um dia controlando nossas vidas, não prejudicaremos tanto a vida dos outros.
Otavio Augusto Moreira da Cunha
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