quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Vale a pena a modernidade?


A grande quantidade de mundanças sociais e tecnológicas ocorridas na modernidade, como a industrialização, o crescimento populacional rápido e a urbanização, provocaram um choque de estímulos que transformou fundamentos fisiológicos e psicólogicos do homem moderno em sua experiência subjetiva.
Ben Singer dá um conceito cognitivo para a modernidade, em que surge “a racionalidade instrumental como a moldura intelectual por meio da qual o mundo é percebido e construído”. Com a aceleração da produção, a construção de prédios, as ruas com carros e bondes elétricos, a energia elétrica, o mundo tornou-se um perigo.
Muitos acidentes ocupavam as primeiras páginas dos jornais e revistas da época e diante das conquistas tecnológicas, “um terremoto era quase um relaxamento nervoso” (Henry Adams, 1905). Foi por isso que Georg Simmel afirmou que a modernidade envolveu a Intensificação da Estimulação Nervosa.
Esses conceitos e definições não se parecem um pouco com o que vivemos hoje, depois da ampla difusão de aparatos tecnológicos com interface gráfica? Deixando de lado os modelos que estabelecem esses recursos como portas para um novo mundo (bem próximo do que se falava na modernidade), um mundo virtual, o objetivo é pensar que alterações se fizeram nas sensorialidades humanas com a utilização paulatina desses aparatos.
Tomaremos a tela do computador, reproduzindo as páginas da internet. Como lemos essa página? Da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma página depois da outra, conforme convencionado muito antes da impressa tipográfica? Está comprovado que não. Temos um modelo de varredura de tela totalmente diferente do que tínhamos antes. O sistema de sintaxe visual agora é muito parecido com o qual as crianças se utilizam para formar significados. Ele é capaz de ver todo o conjunto numa visão global.Para Donis Dondis, esse sistema dúplice de visão reconhece que tudo o que vemos e criamos compõe-se de elementos visuais básicos que representam a força visual estrutural, importante para a formação de significado e geração de respostas.
Quando você procura uma notícia num portal, sua visão parte do todo para as partes, focalizando as partes sem um padrão constatado de leitura. Não se pode afirmar que o usuário de internet vai clicar primeiro no menu horizontal, depois no vertical, e aí, finalmente, encontrar de uma maneira lógica, aquilo que procura. O processo de varredura visual é totalmente aleatório.
Somos bombardeados por novidades visuais e estamos intensificando nossa estimulação nervosa e produzindo novos comportamentos e ténicas corporais, bem como novas maneiras de ouvir, sentir e olhar.

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